sábado, 20 de outubro de 2007

Persona da Vez: Mono Ho Tsi Kung

O mundo não está mesmo fácil. Prova disso é que, recentemente, Marcelo Monocelha entrou para o clube dos desempregados, do qual já fazem parte Joanete, Paroara, José Fariseu Nato e Bruno Lixeiroéeu. Agora temos um time de futsal para os novos torneios do Clube CPC, se visto pelo lado bom, e com Bruno no gol, é claro, estes cinco vagabundos poderiam até treinar em alguma quadra, em paralelo às entrevistas de emprego e processos mui legais para trainees. E, quem sabe, tornarem-se os mais novos papa-títulos nas peladas, não? Pois bem, mas enquanto isso, na esquina da Rua da Amargura com a dos Farrapos, o pobre rapaz dos tufos negros sobre os olhos precisava fazer algo para voltar a freqüentar o cinemark e as rodas de samba. Naquele momento de pindaíba, sentindo-se um fracassado, muitas imagens vieram à mente. Algumas boas, como a feliz lembrança da sombra de seus cabelos – ele vive agora uma guerra contra a calvície - à la Steven Seagal nos muros da Rua da Porra, local outrora muito bem freqüentado pelos amigos fariseus e louras da capital em épocas mais felizes, e que liga a praça do canhão à rua do colégio municipal Feliciano Podré. Cabisbaixo, sentado em frente a uma lanchonete e com olhar direcionado aos seus pés calejados e discretamente calçados por havaianas amarelo-ovo, Monocelha tentava pensar em solução, até que viu um chinês que acabara de estacionar, com um carro vistoso, e aparentando ser o dono daquele local. Foi aí que pensou, pensou e lembrou de Pai Oséias, seu ex-professor de Informática do Cefet e dono de uma rede de sujões que vendiam lanches na porta das escolas. E decidiu mergulhar de careca na culinária chinesa. Dois meses depois, Marcelo conseguira uma portinha no centro da Aldeia, onde abriu uma pastelaria. Assim como seu professor, investiu no nicho de pastéis gigantes, muito grandes, enormes mesmo. A freguesia cresceu, Mono se especializou em alimentar o pessoal GLS, atraídos pelo tamanho e recheio do alimento, e se acostumou ao assédio das moçoilas, que pensavam que ele poderia dar o maior caldo, e não era de cana. Mas como tudo que não dura muito já foi bom um dia, na ganância de aumentar os lucros, o garotão passou a baratear a produção do pastel com ingredientes à base de vento e, de quebra, trocou o caldo de cana pelo suco de caju, para acabar com as insinuações e trocadilhos indecentes. A clientela se rebelou ao perceber a falcatrua e, danada da vida, levou seu protesto às ruas da cidade, com direito a passeata, boicote ao pastel e musiquinha malcriada. A situação agora é delicada e é provável que Marcelo volte a exercer a engenharia, cuja faculdade ainda está incompleta, após 6 anos e lá vai fumaça. Força, garoto!
Confira o jingle em da campanha "Abaixo o Pastelão" em: http://www.youtube.com/watch?v=nUTebs2E25k
Foto: arquivo Dá Aghora, Só Brasa & Paudikem advogados
Dá Aghora, que até para ir à pastelaria
põe um terno, era cliente assíduo de
Monocelha. Na foto, aparentemente
embriagado, ele come um pastel do
tamanho da sua gravata, com uma
calabresa inteira dentro.
P/S.: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a vida real terá sido mera coincidência.

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